quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Investimento Social Privado


O investimento social privado é uma das várias facetas da responsabilidade social. Empresas cada vez mais têm investido recursos em projetos sociais e há uma maior demanda por resultados concretos.

O investimento social privado é o uso voluntário e planejado de recursos privados em projetos de interesse público. Ao contrário do que muitos pensam, o investimento social privado não deve ser confundido com assistencialismo.

Como qualquer investimento, as pessoas físicas ou jurídicas que financiam projetos de cunho social têm o intuito de aferir os resultados alcançados. Há, portanto, a preocupação em se gerar um retorno positivo à sociedade, de forma que o monitoramento das atividades desempenhadas seja constante e envolva uma equipe de profissionais, tais como assistentes sociais, pedagogos e educadores. Isto leva ao crescimento e maior profissionalização do ''terceiro setor'' frente às dificuldades dos setores público e privado no combate às mazelas sociais do país.

Em estudo realizado pelo Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE), constatou-se que 79% dos associados ao GIFE realizam alguma forma de plano estratégico para nortear sua atuação social, sendo que 91,7% dos 48 associados pesquisados realizam regulares avaliações de resultados (Investimento Social Privado no Brasil, 2000). Algumas referências interessantes:

Grupo de Instituições, Fundações e Empresas (GIFE). O GIFE baseia sua atuação no fortalecimento do terceiro setor (especialmente das organizações sociais de origem empresarial) no desenvolvimento de políticas públicas e nas ações de seus associados, que vêm criando e aperfeiçoando suas práticas e tecnologia de investimento social privado.

Banco de Tecnologias Sociais. Programa voltado para a disseminação de tecnologias de baixo custo e fácil aplicação para problemas sociais nas áreas de alimentação, demanda de água, renda, energia, saúde, educação e meio ambiente. O Banco é uma base de dados contendo informações sobre tecnologias cadastradas através do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social que, em sua primeira edição, certificou 128 ''soluções sociais''.

Council on Foundations. O Council on Foundations (COF) é referência internacional no tocante aos requisitos mínimos para fundações. O site oferece respostas práticas para empresas interessadas em montar fundações filantrópicas, além de organizar eventos e seminários sobre o tema.


terça-feira, 15 de novembro de 2011

BIOGRAFIA GENIVAL FERREIRA DE MIRANDA


Genival Ferreira de Miranda é o nome do quarto filho de Francisca Ferreira de Miranda e José Ferreira de Miranda, nasceu no dia 16 de outubro de 1968, na maternidade João Daudt de Oliveira - Bairro Jd. Paulista-SP, sob o signo de Libra, na cidade de São Paulo (Capital), no estado de São Paulo. Seus avós paternos: Domingos Rodrigues de Miranda e Dona Eulina Ferreira de Miranda, avós maternos: Manoel Joaquim Paes e Dona Ana Rosa Dias.
Em 1968 há exatos 40 anos o mundo passava por um dos momentos mais importantes do século XX. A globalização começava a mostrar sua face e o planeta entrou em colapso diante de conflitos entre diversas nações, gerando um princípio de revolução, que veio do povo.
Maio de 1968 uma greve geral aconteceu na França. Rapidamente adquiriu significado e proporções revolucionárias, mas logo em seguida foi desencorajada pelo Partido Comunista Francês. Alguns filósofos e historiadores afirmaram que essa rebelião foi o acontecimento revolucionário mais importante do século XX, porque não se deveu a uma camada restrita da população, como trabalhadores ou minorias, mas a uma insurreição popular que superou barreiras étnicas, culturais, faixa etária e de classe.
A resposta da população aos rígidos governos, sejam eles de direita ou de esquerda, foi um episódio fundamental para a história contemporânea que deve ser compreendido para que possamos entender a atual realidade do planeta.


Quando Genival nasceu a família residia no Parque Edu Chaves, um bairro da Cidade de São Paulo. Situado à margem do Rio Cabuçu de Cima, da Rodovia Fernão Dias e faz divisa com o municipio de Guarulhos.

Genival Miranda com 1 ano de idade

No ano de 1973 a família mudou-se para o bairro Jardim Moreira no municipio de Guarulhos-SP, quando já tinha 5 anos de idade e lá viveu a sua infância, era uma época que a brincadeiras e travessuras era muito diferentes dos dias de hoje, brincava-se com bola de capotão,  atiradeiras (estilingue) e o carinho de rolimã elegiam os verdadeiros herois.


No mesmo ano (1973), Genival  recebeu o batismo ao 9º dia do mês de setembro na BASÍLICA DE NOSSA SENHORA APARECIDA - Arcebispado de Aparecida , através do qual morremos e renascemos em Cristo, é oferta generosa da aceitação de Deus. A água aponta para essa dupla realidade do batismo: água mata, afoga, destrói e também lava, refresca e dá vida. A criança foi autorizada pela Paróquia Nossa Senhora dos Prazeres, localizada no bairro da Parada Iglesa - São Paulo, autorização sedida pelo pároco Julio Martins Serra, os padrinhos foram; Clemildo R. dos Santos e Zildene Maria dos Santos. 
Batismo, porém, é água e Palavra de Deus. É nessa combinação de água e Palavra em presença da comunidade que crê que o batismo realiza a transformação maravilhosa: nos torna filhas/os de Deus.
Mas batismo não é mágica. Batismo é início de uma caminhada! Lutero alertava que o "velho Adão", "velha Eva", nossa vontade de contrariar a Deus, não se deixa "afogar" facilmente na água do batismo. Ele/a nada muito bem, dizia Lutero. Por isso, o nascer, o surgir do "novo Adão", da "nova Eva", de um novo ser humano em nós, deve ser uma busca permanente.
Portanto, "Vida cristã outra coisa não é que diário batismo" (Lutero). É, portanto, uma atitude de permanente PENITÊNCIA: um refletir diário sobre nossa vida a partir do Evangelho de Jesus Cristo e essa reflexão precisa caminhar para a prática. Assim, concluía Lutero, se vivemos na penitência vivemos no batismo e, se vivemos no batismo, nossa vida é uma contínua penitência. E onde há vida verdadeira pelo batismo, aí há também salvação (Mc 16.16).
Ao mesmo tempo que ordena o batismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt 28.19-20), Jesus afirma que é preciso "ensinar a guardar todas as coisas". Ao sermos batizados somos integrados na comunidade cristã. Na comunidade aprendemos a "guardar todas as coisas" que interessam para a vida de fé. Na comunidade recebemos forças, ânimo e somos amparados e encorajados nessa difícil travessia que é o batismo.

Em 1976, Genival ingressa à escola no 1º ano primário com 7 anos completos na ESCOLA ESTADUAL DE 1º GRAU PROFº MARIA ROSA BROTA , localizada na Rua Quatro, nº 20 - JD MOREIRA - 1º Del. de Ensino - DRE - 4º Norte - Guarulhos -São Paulo.

Em 1977 conclui o 2º ano primário com 8 anos na ESCOLA ESTADUAL DE 1º GRAU PROFº MARIA ROSA BROTA , localizada na Rua Quatro, nº 20 - JD MOREIRA - 1º Del. de Ensino - DRE - 4º Norte - Guarulhos -São Paulo.

 

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Adolescentes do Educandário aguardarão mobília e funcionários para mudar “endereço”


Ter, 25 de Outubro de 2011 15:11


Os quatro adolescentes que ainda estão residindo no Educandário Frei Roque Biscioni, sendo cuidados pela ONG (Organização Não Governamental) Humanizar, terão de aguardar que a casa já alugada seja mobiliada e a contração de funcionários, para poderem mudar para o novo local onde passarão a residir.

A informação foi passada na segunda-feira desta semana, dia 24, pelo prefeito Eugênio José Zuliani, Geninho, ao jornal Diário da Região de São José do Rio Preto, que desta forma dá contornos regionais à interferência da Vara da Infância e Juventude de Olímpia, para o caso.

Segundo o prefeito de Olímpia, uma casa já foi alugada e o valor que era repassado à ONG pelos municípios será investido na manutenção de um novo endereço. “A casa já está alugada, agora vamos mobiliar tudo e contratar pessoal para podermos transferir os menores”, disse

Como se recorda, a falta de segurança do Educandário de Olímpia fez com que a Vara da Infância e da Juventude pedisse às prefeituras das cidades da comarca que suspendessem o convênio com a entidade e retirassem os quatro menores que hoje vivem no local.

Desde 2010 os municípios de Olímpia, Severínia, Cajobi, Altair, Embauba e Guaraci repassavam aproximadamente R$ 20 mil à ONG Humanizar para que esta prestasse o serviço de casa abrigo a menores retirados de seus lares por medidas protetivas da Justiça - aplicadas a “menores ameaçados ou que tiveram direitos violados em razão de falta, omissão ou abuso dos pais ou responsável; ação ou omissão das autoridades públicas ou em razão da conduta do próprio adolescente”, segundo o artigo 101 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

O prefeito de Olímpia e integrantes da ONG assumem que o local não é ideal para a permanência dos adolescentes. “O juiz e a promotora visitaram o lugar e viram que não tem muro, não tem portão. Acharam que não é possível manter os menores lá”, diz o prefeito.

O diretor administrativo da ONG, Genival Ferreira de Miranda, confirma a falta de estrutura. “Aceitamos prestar o serviço por uma necessidade da comunidade, mas estamos localizados em um bairro de periferia, com risco de contato dos menores com pessoas de índole suspeita e, apesar de não termos tido nenhum tipo de problema até hoje, é melhor colocar os menores em uma casa mais adequada”, afirma.

A promotora da Vara da Infância e da Juventude, Daniela Ito Echeverria, diz que não está previsto, por enquanto, uma ação civil pública contra as prefeituras. Segundo ela, o objetivo é a elaboração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para que os municípios assumam a responsabilidade por esse atendimento. Ao menos até assinatura do documento, os internos permanecerão no imóvel.

Já o juiz substituto Luiz Fernando Silva Oliveira disse ao Diário que a análise da situação corre em segredo de Justiça. Representantes dos municípios, diz, já se prontificaram a assumir a responsabilidade pelo serviço. Para ele, o importante é a segurança dos menores. “Naquele local, eles estão sujeitos ao contato com pessoas que podem desencaminhá-los. Precisamos protegê-los”, avisa.

Por outro lado, Genival Miranda afirmou ao jornal de Rio Preto que a entidade tentava arrecadar fundos para a construção de um muro, porém a Justiça entendeu que não poderia aguardar a conclusão da obra, sem data prevista para ter início, por isso a ONG diz estar ajudando os municípios a fazer a transição.

Educandário faz campanha para construir muro exigido pela justiça

Dom, 21 de Agosto de 2011 16:40
Por causa da necessidade de construir muros altos para cercar a instituição e até um forte portão de ferro para isolamento, seguindo determinação da ex juíza da Infância e Juventude, Andrea Galhardo Palma, a direção do Educandário Frei Roque Biscione, localizado no Jardim Santa Ifigênia, zona norte de Olímpia, está em plena campanha com a finalidade de conseguir os materiais de construção necessários e até mesmo ajuda na mão de obra necessária para a construção do muro.
De acordo com o membro da diretoria do Educandário,

Genival Ferreira de Miranda, a instituição necessita de tijolos, cal, cimento, pedra e areia. Segundo ele, já há um trabalho social desde o ano de 2006, quando foi criada a ONG Humanizar que é a mantenedora do Educandário.

“Agora, estamos com uma casa de acolhida para adolescentes, com alguns deles já morando lá, inclusive de toda a comarca e estamos acolhendo esses adolescentes que estão em situação de risco e que realmente precisam”, comentou.


Miranda explica que, atualmente, o Educandário necessita de recursos para funcionar durante as 24 horas todos os dias da semana. “Temos gastos com manutenção e funcionários porque esses adolescentes estão lá e precisam almoçar, jantar, tomar café da manhã e da tarde”, informou.


O muro, segundo ele, é uma questão de segurança: “coisa que a juíza acredita que esses adolescentes precisam do entorno dali, eles têm que estar protegidos. É uma exigência que a juíza faz para garantir a integridade dessas crianças”.


O material para a construção dos 670 metros quadrados de muro está orçado em aproximadamente R$ 26,7 mil, incluindo tijolos de oito furos, de pó de mico, colunas e de ferro, baldrame, arame recozido para amarrar as ferragens e todos os demais materiais necessários. Já a parte da mão de obra está orçada em quase R$ 31 mil. “Fizemos um orçamento com um mestre de obras”, disse.


Quem quiser doar dinheiro pode fazer o depósito na agência da Caixa Econômica Federal (CEF), na conta corrente 112-7. “A gente está dependendo das doações até em dinheiro para a entidade, até para o pagamento dessa mão de obra”, avisou.


Mas quem tiver material de construção que não estiver utilizando, ou mesmo quiser doar diretamente parte dos materiais necessários, pode levar, ou mandar levar no educandário que será de grande valia.


No entanto, Genival avisa que não existem representantes do Educandário percorrendo as ruas pedindo nem material nem dinheiro. Qualquer dúvida é só ligar para o Educandário, no fone 3279-8401.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Educandário lança campanha para reforma

Na última segunda-feira, dia 18, a Juíza da 2ª Vara da Infância e da Juventude, Dra. Andréa Galhardo Palma, convocou representantes das prefeituras, Conselhos Tutelares, clubes de serviços, Associações Comerciais e empresários de todos os municípios da Comarca de Olímpia no sentido de iniciar uma campanha para angariar material e fundos necessários para a execução de melhorias que deverão ser realizadas na sede da Ong Humanizar.
A Organização Não Governamental Humanizar, presidida pelo Senhor Sérgio Ney Pagilha Garcia, além de propiciar atividades educacionais como arte, música, ecologia, esporte e informática à todas crianças que residem nas proximidades da entidade, também hoje participa do Programa de Acolhimento para Adolescentes de 12 a 18 anos de idade.
Devido a essa complexidade de responsabilidade a Ong Humanizar necessita com urgência de instalar um muro em todo seu entorno, cerca elétrica e portões, com a finalidade de garantir a segurança necessária à todos adolescentes ali abrigados.
A Ong Humanizar recebe mensalmente das prefeituras da Comarca subvenções que são responsáveis pela folha de pagamento do quadro funcional e manutenção da sede como água, energia elétrica e outros, ficando as demais necessidades principalmente como a alimentação por conta de doações recebidas de algumas empresas.
O Diretor Administrativo da instituição, Genival Ferreira de Miranda, ressalva que: “é de suma importância que ocorra a participação da sociedade como um todo em virtude da relevância do trabalho e necessidade extrema de proporcionar esta segurança às crianças e adolescentes que se encontram acolhidas nesta entidade”.

Para fazer suas doações:
ONG HUMANIZAR – EDUCANDARIO FREI ROQUE BISCIONE
Av. Bartolomeu Ittavo, nº 915 – Jardim São Francisco
Fones (17) 3279-8401 – 3281-8043
Conta: 003-00336-7 – agência 0324

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Ruben Alves – “Aprendo porque Amo”


“Aprendo porque Amo”

Recordo a Adélia: “Não quero faca nem queijo; quero é fome.” Se estou com fome e gosto de queijo eu como queijo… Mas, e se eu não gostar de queijo? Procuro outra coisa de que goste: banana, pão com manteiga, chocolate… Mas as coisas mudam de figura se minha namorada for mineira, gostar de queijo e for de opinião que gostar de queijo é uma questão de caráter. Aí, por amor à minha namorada, eu trato de aprender a gostar de queijo. Me lembro do filme Assédio sexual. A estória se passa numa cidade do norte da Itália ou da Suíça. Um pianista vivia sozinho numa casa imensa que havia recebido como herança. Ele nem conseguia cuidar da casa sozinho e nem tinha dinheiro para pagar uma faxineira. Aí ele propôs uma troca: ofereceu moradia para quem se dispusesse a fazer os serviços de limpeza. Apresentou-se uma jovem negra, recém-vinda da África, estudante de medicina. Linda! A jovem fazia medicina ocidental com a cabeça mas o seu coração estava na música da sua terra, os atabaques, o ritmo, a dança. Enquanto varria e limpava sofria ouvindo o pianista tocando uma música horrível: Bach, Brahms, Debussy… Aconteceu que o pianista se apaixonou por ela. Mas ela não quis saber de namoro, achou que se tratava de assédio sexual e despachou o pianista falando sobre o horror da música que ele tocava.. O pobre pianista, humilhado, recolheu-se à sua desilusão mas… uma grande transformação aconteceu: ele começou a frequentar os lugares onde se tocava música africana. Até que aquela música diferente entrou no seu corpo e deslizou para os seus dedos. E, de repente, a jovem de vassoura na mão começou a ouvir uma música diferente, música que mexia com o seu corpo e suas memórias… E foi assim que se iniciou uma estória de amor atravessado: ele, por causa do seu amor pela jovem, aprendendo a amar uma música de que nunca gostara, e a jovem, por causa do seu amor pela música africana, aprendendo a amar o pianista que não amara. Sabedoria da psicanálise: frequentemente a gente aprende a gostar de queijo através do amor pela namorada que gosta de queijo…

Isso me remete a uma inesquecível experiência infantil. Eu estava no primeiro ano do Grupo. A professora era a dona Clotilde. Pois ela fazia o seguinte: assentava-se numa cadeira bem no meio da sala, num lugar onde todos a veriam, acho que fazia de propósito, por maldade, desabotoava a blusa até o estômago, enfiava a mão dentro dela e puxava para fora um seio lindo, liso, branco, aquele mamilo atrevido… E nós, meninos, de boca aberta… Mas isso durava não mais que cinco segundos porque ela logo pegava o nenezinho e o punha para mamar. E lá ficávamos nós, sentindo coisas estranhas que não entendíamos: o corpo sabe coisas que a cabeça não sabe. Terminada a aula os meninos faziam fila junto à Da. Clotilde, pedindo para carregar a pasta. Quem recebia a pasta era um felizardo, invejado. Como diz o velho ditado, “quem não tem seio carrega pasta…” Mas tem mais: o pai da Da. Clotilde era dono de um botequim onde se vendia um doce chamado “mata-fome”, de que nunca gostei. Mas eu comprava um mata-fome e ia para casa comendo o mata-fome bem devagarzinho… Poeticamente trata-se de uma metonímia: o “mata-fome” era o seio da Da. Clotilde…

Ridendo dicere severum: rindo, dizer as coisas sérias… Pois rindo estou dizendo que frequentemente se aprende uma coisa de que não se gosta por se gostar da pessoa que a ensina. E isso porque – lição da psicanálise e da poesia – o amor faz a magia de ligar coisas separadas, até mesmo contraditórias. Pois a gente não guarda e agrada uma coisa que pertenceu à pessoa amada? Mas a “coisa” não é a pessoa amada! É sim!, dizem poesia, psicanálise e magia: a “coisa” ficou contagiada com a aura da pessoa amada. Minha avó guardava uns bichinhos que haviam pertencido a um filho que morrera. Guardo um peso de papel, de vidro, que pertenceu ao meu pai. E os apaixonados guardam uma peça de roupa da pessoa amada, e a colocam sobre o travesseiro, ao dormir… Mesmo depois dela ter morrido. É como se, através daquela “coisa” que não é a pessoa amada fosse possível tocar e acariciar a pessoa amada, ausente.

Pois o mesmo mecanismo acontece na educação. Quando se admira um mestre, o coração dá ordens à inteligência para aprender as coisas que o mestre sabe. Saber o que ele sabe passa a ser uma forma de estar com ele. Aprendo porque amo, aprendo porque admiro. Sabendo o que ele sabe eu carrego a sua pasta, como o “mata-fome”, faço amor com ele.

Lamento dizer isso: tive poucos mestres que admirasse. Lembro-me de um que admiro até hoje, embora já se tenham passado mais de cinquenta anos: Leônidas Sobrinho Porto. Professor de literatura, nunca nos atormentou com informações sobre nomes e escolas literárias. Ele sabia que não aprenderíamos. Mas quando ele se punha a falar era como se estivesse possuído. Falava com tal paixão sobre as grandes obras literárias que era impossível não ser contagiado. Eu o admirava porque nele brilhava a beleza da literatura, queijo de que eu não gostava. Ele me fez amar a literatura.

A Da. Clotilde nos dá a lição de pedagogia: quem deseja o seio mas não pode prová-lo realiza o seu amor poeticamente, por metonímia: carrega a pasta e come mata-fome…

Rubem Alves

A importância em fazer as Crianças lerem.

Hoje em dia, tantas informações e tantos jogos e brinquedos interessantes e animados, como fazer as nossas crianças perceberem a importância de ler? Com tantos estímulos ao seu redor, como um livro pode concorrer?
Todos nos sabemos a importância da leitura e o mundo que os livros podem apresentar, e como a imaginação pode ser estimulada através do livro! E atualmente temos muitos livros que são escritos principalmente para as crianças e adolescentes.
Sabemos que o exemplo dos pais é um fator fundamental na educação das crianças. Portanto, num primeiro momento, se os filhos vêem seus pais lendo, eles provavelmente também se interessarão pelos livros. Então, vamos ler e mostrar a eles o prazer da leitura.
Desde pequenos, as crianças devem ser apresentadas aos livros, que devem ser coloridos, atraentes, divertidos e alegres. Os pais têm uma enorme responsabilidade em ler para os seus filhos antes de dormir, incentivando-os e aproveitando momentos gostosos através da leitura. O livro não deve ser uma obrigação e sim um prazer. Um dos problemas atuais nas escolas é sem duvida a escolha dos livros nas diversas séries. Às vezes, uma escolha mal feita leva o aluno a não gostar de ler. Por isso, é importante que a idade dos alunos seja respeitada e o gênero do livro seja condizente com seus interesses.
Outro fator importante é não forças os filhos a ler. A leitura pode se transformar em um problema por causa da obrigatoriedade. Talvez o melhor a fazer seja ir a uma livraria com eles, para escolherem juntos os livros a serem lidos. Pergunte a seus filhos o que eles gostam, quais os assuntos que eles interessam, e desde modo você estará conhecendo melhor sua personalidade e gostos.
Depois que seus filhos lerem o livro, sentem-se e conversem sobre o que ele mais gostou da história, quais os personagens favoritos, mas não façam disso uma prova de conhecimento! E sim uma conversa gostosa sobre os personagens e o que aconteceu na história. É uma forma de conhecer melhor os pensamentos e valores dos seus filhos, e conversar a respeito de assuntos que vocês achem importantes.
Se já é difícil fazer nossas crianças lerem em casa, na escola a tarefa fica ainda mais complicada. Os professores querem que a leitura seja algo prazeroso, mas parece não conhecer o que é prazeroso para seus alunos. Muitas vezes, vejo alunos que já estão lendo um livro e reclamam que precisam parar de lê-lo para ler o que o professor mandou, que não é tão agradável quanto ao que estavam lendo. Temos que saber qual é o nosso objetivo como professor, estimular a leitura ou obrigar os alunos a lerem para simplesmente “aprenderem” alguma coisa.
E aprenderem o que? Como professores, podemos fazer da leitura algo muito prazeroso ou algo muito obrigatório, que incomoda e tira a vontade dos alunos lerem. O que vamos escolher?
Eu diria aos professores para conhecerem seus alunos, a faixa etária, e procurarem saber do que eles gostam, pelo que eles se interessam. Um livro interessante é um convite à leitura!
Outro fator a ser levado em consideração é que os gostos e interesses são diferentes para meninos e meninas, portanto também isto deve ser discutido com os alunos. Em um mês, os meninos lerão um livro que as meninas escolherem, e no próximo mês, as meninas deverão ler o livro que os meninos escolherem. Colocá-los em grupo para que discutam o que gostaram e o que não gostaram pode fazer a reflexão ficar bastante interessante e profunda.
Em vez de provas sobre o livro, os professores podem realizar atividades mais dinâmicas como, por exemplo, dramatizar algumas partes do livro, ou contar a história do livro para as classes dos alunos menores (dependendo do assunto, é claro!).
Discussões em grupo, cartazes, teatro, ampliam a criatividade e o gosto pela leitura. Vale lembrar que muitos de nos, hoje leitores ativos e vorazes, não gostamos de ler quando crianças. Portanto, ainda temos esperança de ver nossos filhos e alunos lendo no futuro!
Como explicar o sucesso de um Harry Potter? Como explicar milhares de crianças e adolescentes lendo um livro por pura vontade de ler em um mundo em que impera o Orkut, Twitters e Facebooks? São exemplos como o de Harry Potter que nos fazem acreditar que as crianças vão continuar gostando de ler no futuro, enquanto existir criatividade e dedicação de muitos autores.
A vontade de ler existe em toda criança, cabe somente aos pais e professores saber guiá-la da maneira correta. Vamos acreditar na nossa habilidade de entusiasmar nossas crianças a ler! Mãos à obra!



Genival Ferreira de Miranda
Professor, Pedagogo e especialista em Língua e Literatura